Terça-feira, 16 de Junho de 2009

A Euronext Lisboa confirmou com o intermediário financeiro a ordem de compra de 250 mil acções da Impresa ao melhor preço, o que fez disparar a cotação do título em mais de 140 por cento. A Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) está a investigar as operações. A cotação das acções da Impresa não foram hoje suspensas, apesar da valorização galopante que se seguiu à entrada no sistema de uma ordem de compra de 250 mil títulos, porque a bolsa confirmou com o intermediário financeiro que a ordem era para seguir, garantiu ao PÚBLICO fonte oficial da plataforma bolsista. Ao início da tarde, a possibilidade de se tratar de erro chegou a ser admitida, e a própria bolsa, tratando-se de um título pouco líquido, teve necessidade de confirmar a ordem de compra. A pouca liquidez da Impresa e o facto da ordem ser ao melhor preço acabou por gerar uma valorização repentina, não existindo actualmente nenhuma limitação às variações, ao contrário do que existia no passado, em que depois de ultrapassado determinado limite o título era suspenso para consolidação de ordens.  Confirmando-se que não se tratou de um erro, aumenta a expectativa em relação à operação de compra de acções da Impresa. “Falámos com a Impresa, que diz não ter qualquer informação que justifique [a subida], pelo que estamos a olhar para as operações, para uma em particular”, disse ao PÚBLICO fonte oficial da entidade supervisora. A mesma fonte revelou que o intermediário financeiro de onde partiu a ordem já foi identificado, mas recusou revelar o nome ou qualquer outra informação. O PÚBLICO apurou, entretanto, que em causa está uma única ordem de compra de 250 mil acções que, ao início da tarde, fez disparar os títulos do grupo presidido por Francisco Balsemão para uma subida de 140 por cento, levando a cotação até aos dois euros.

 

A CMVM vai agora realizar os “pedidos de informação aos comitentes vendedores dos títulos”, pelo que estima esclarecer o assunto num prazo de “um a dois dias, a contar de amanhã”. Apesar da forte subida, esta não era uma situação que justificasse suspender a negociação dos títulos, algo que só faz sentido quando existem “rumores ou informação por prestar”, esclareceu a CMVM.  “Até porque estas são situações que acontecem de repente e não faz sentido suspender-se depois de feito”, acrescentou fonte oficial da entidade presidida por Carlos Tavares. Em declarações à Lusa, o porta-voz da Impresa admitiu que a subida da cotação possa ter-se devido a um erro numa ordem de compra.  "Não tenho certeza do que aconteceu. Quem introduziu a ordem fê-lo sem preço. No sistema de bolsa havia acções livres para satisfazer a ordem", afirmou José Freire. "É um movimento anormal que pode ter sido um erro", acrescentou. Um cenário que, quando o PÚBLICO falou com a fonte oficial da CMVM, não estava excluído. Mas alguns operadores de mercado também contactados pela Lusa duvidam dessa possibilidade, tendo em conta que o título, apesar de alguma correcção, acabou a sessão a ganhar mais de 16 por cento, para 0,94 euros. Negociaram-se mais de 1,4 milhões de acções, muito longe da média diária, que é de 89 mil acções.

Francisco Balsemão tem cerca de metade do capital da Impresa e a Ongoing, de Nuno Vasconcelos, detém uma participação superior a 20 por cento. A possibilidade de o movimento de subida ter sido induzido por este accionista foi também afastada por analistas e operadores de mercado.
 

Fonte: Público.


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publicado por comunicaradireito às 19:59
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